Em 2001, três amigas partiram de São Paulo com o propósito de explorar o país, incentivar a leitura e capacitar mediadores literários em comunidades rurais da Amazônia. Laís Fleury, Maria Teresa “Fofa” Meinberg e Sylvia Guimarães iniciaram, dessa forma, um projeto-piloto pioneiro no estado do Pará.
No ano subsequente, o grupo passou dez meses viajando por todos os estados que compõem a Amazônia Legal, alcançando 53 localidades. Ao retornarem à capital paulista, onde mantinham uma pequena sala alugada, depararam-se com correspondências que solicitavam o retorno da iniciativa. Foi nesse contexto que se consolidou a Associação Vaga Lume.
Crescimento e impacto em duas décadas e meia
Passados 25 anos, a instituição mantém sua sede em São Paulo, mas expandiu expressivamente sua atuação. Atualmente, a rede conta com 102 bibliotecas comunitárias distribuídas em 23 municípios, somando mais de 209 mil exemplares distribuídos e ultrapassando a marca de 6 mil mediadores de leitura formados.
De acordo com dados fornecidos pela própria organização, 113 mil crianças e jovens já foram beneficiados pelas ações. Essa trajetória de incentivo cultural e educacional rendeu à entidade reconhecimentos de destaque, como o Prêmio Jabuti de Fomento à Leitura, recebido em 2022, e a premiação como Melhor ONG de Educação do Brasil, concedida pelo Instituto Doar em 2023.
Nova identidade visual e expansão para a primeira infância
Para celebrar o marco histórico de jubileu de prata, a Vaga Lume reformulou sua identidade visual e verbal por meio de um projeto desenvolvido em regime pro bono pela Zaic Branding. O fundador da agência, Zeuner Fraissat, foi o responsável por desenhar o logotipo original da organização em 2001. O inseto vagalume, que serve de símbolo para a leitura desde a fundação, passa a representar também a ampla rede de voluntários e moradores que sustentam o funcionamento das bibliotecas.
As comemorações de aniversário trazem ainda novidades estruturais. Nos dias 9 e 10 de novembro, a associação inaugura em Benevides, na Região Metropolitana de Belém, suas primeiras unidades voltadas especificamente para o atendimento de crianças de zero a seis anos de idade e seus respectivos cuidadores.
Os três novos espaços estão localizados em:
- Santo Antônio
- Divino Espírito Santo (Taiassuí)
- Juquiri
As instalações contam com mobiliário devidamente adaptado e acervos literários cuidadosamente selecionados. A iniciativa é fruto de uma parceria firmada com a Fundação Van Leer e a prefeitura local, contando com mediadores de leitura originários das próprias comunidades atendidas.
Reconhecimento educacional
Em Chapada dos Guimarães (MT), duas escolas municipais que registraram o melhor desempenho nos anos iniciais no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2025 foram contempladas com acervos literários oriundos de bibliotecas apoiadas pela Vaga Lume.
Ambas as instituições alcançaram nota 6,2, superando as médias registradas no município (5,7), no estado de Mato Grosso (6,1) e na média nacional (6,0). Segundo dados divulgados pelo Inep, há uma correlação positiva entre a presença das bibliotecas comunitárias e o desempenho educacional das escolas da região.
Fonte original: Veja São Paulo








