O pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, suspeito de matar a ex-companheira Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, em Rifaina (SP), foi encontrado morto com uma carta escrita à mão e cerca de R$ 15 mil nas roupas, segundo o boletim de ocorrência.
O documento, registrado na segunda-feira (2), também cita uma munição de revólver calibre .38 intacta perto do corpo. Nenhuma arma aparece entre os objetos apreendidos, e o conteúdo da carta não foi divulgado até a última atualização da ocorrência. A causa da morte do pecuarista também não foi oficialmente divulgada de forma conclusiva pelas autoridades.
O confronto de versões e os pontos divergentes
A defesa da família do pecuarista levantou questionamentos sobre o caso, afirmando que R$ 100 mil em espécie teriam desaparecido e contestando relatos do namorado e de testemunhas sobre a dinâmica do crime e o relacionamento. Por sua vez, o advogado que representa a família de Priscila afirmou que a história do dinheiro não consta na investigação e destacou a necessidade de cautela ao apurar os fatos, pontuando que a prioridade é proteger a memória da vítima, classificada formalmente como um caso de feminicídio.
O que falta esclarecer na investigação
- A causa e a data exata da morte do pecuarista;
- O conteúdo integral da carta manuscrita apreendida;
- O paradeiro da arma utilizada no crime contra a jovem;
- A veracidade sobre o suposto desaparecimento da quantia de R$ 100 mil relatada por familiares do pecuarista;
- A identidade de pessoas que teriam chegado ao local do crime, conforme relatos de testemunhas;
- A eventual inclusão de dados de rastreador, celular e imagens da Guarda Civil Municipal (GCM) no inquérito.
Dinâmica do crime e histórico do relacionamento
Priscila esteve em Rifaina no dia 27 de outubro acompanhada do irmão e de uma amiga com o objetivo de devolver a caminhonete do pecuarista. À noite, ela foi baleada às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334). O suspeito fugiu no veículo, que foi localizado no dia seguinte na mesma região onde o corpo dele viria a ser achado dias depois.
As versões sobre o vínculo entre os dois divergiam quanto ao período e ao status da relação. Enquanto familiares e o atual namorado da vítima relataram que ela tentava terminar o relacionamento e sofria perseguições e ameaças, a defesa do pecuarista sustentava que ambos mantinham contato e haviam feito viagens recentes juntos.
Desdobramentos judiciais e antecedentes
Com o falecimento do principal suspeito, ocorre a extinção da punibilidade quanto à sua responsabilidade criminal direta pelo homicídio. Contudo, as investigações continuam em andamento para esclarecer se houve participação de terceiros, cujas eventuais responsabilidades poderão ser apontadas pelo Ministério Público. A família da vítima também poderá buscar reparações civis na Justiça junto ao espólio do pecuarista.
Registros anteriores apontam que Bolelli havia sido condenado em instâncias judiciais por descumprimento de medida protetiva concedida a outra ex-companheira em anos anteriores, além de condenação por vias de fato.
Fonte original: G1











