Comerciantes e microempreendedores de municípios do interior de São Paulo registraram boletins de ocorrência após terem seus estabelecimentos expostos em chamadas "listas de boicote" disseminadas em redes sociais e aplicativos de mensagens. As listas tinham como objetivo incentivar a perseguição comercial a locais supostamente vinculados a eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Casos em Piedade e Lençóis Paulista
Em Piedade (SP), os episódios foram formalizados junto à Polícia Civil sob as acusações de crimes de ameaça e difamação. Uma situação análoga foi registrada em Lençóis Paulista (SP), onde uma empresária também recorreu às autoridades para denunciar ataques direcionados e perseguição coordenada contra lojas e profissionais liberais da região.
Empregendedores ouvidos em Piedade relataram que seus negócios foram incluídos em um documento denominado "Lista de Esquerda com Certeza", circulado no grupo de WhatsApp "Somos Direita de Piedade". O levantamento apontava pelo menos 24 estabelecimentos comerciais enquadrados no esquema de boicote.
O proprietário de uma lanchonete citada na listagem, que optou por não se identificar, relatou surpresa ao tomar conhecimento do caso. Segundo ele, os próprios integrantes do grupo determinavam o posicionamento político dos cidadãos com base em publicações feitas em redes sociais.
"Esse grupo está aí para dividir a população da cidade, onde direita só compra de direita e esquerda só compra de esquerda. Infelizmente nosso nome foi parar aí sem termos nunca nos expressados politicamente", declarou o comerciante. Um dono de um estúdio de beleza da mesma cidade também formalizou denúncia contra a prática.
Denúncias de retaliação e mensagens de ódio
Em Lençóis Paulista, uma comerciante relatou a atuação de um grupo de WhatsApp intitulado “Flavio Bolsonaro LP 22”. Conforme o relato da microempreendedora, o espaço digital foi criado originalmente com o propósito de articular carreatas de apoio político, mas passou a ser utilizado para planejar retaliações após o encerramento do processo eleitoral.
De acordo com a vítima, o grupo contava com mais de 600 participantes e exibia mensagens com frases de ordem como “o meu dinheiro esse povo não vê mais” e “que se lasquem e morram de fome”. A ocorrência foi registrada oficialmente na Delegacia de Polícia Civil como crime de difamação.
Fonte original: G1











