A gestão financeira representa um dos maiores desafios para quem decide empreender no Brasil, exigindo rigor no controle do fluxo de caixa, sabedoria na hora de reinvestir e disciplina para conter impulsos de consumo imediato. O cenário foi o tema central da participação do economista e ex-BBB Gil do Vigor na 10ª edição do Mercado Livre Experience, realizada em São Paulo.
Atuando como embaixador do Mercado Pago, o economista chamou a atenção para a alta taxa de mortalidade das empresas no país, apontando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que indicam que cerca de 60% dos negócios encerram as atividades antes de completar cinco anos. Para reverter essa estatística, ele detalhou pilares fundamentais para garantir a longevidade corporativa.
Abaixo, conheça detalhadamente as cinco orientações destacadas por Gil do Vigor para fortalecer um negócio:
- 1. Da mentalidade de consumidor para a de proprietário: O primeiro passo para o fortalecimento empresarial envolve mudar a forma como se enxerga o capital. Enquanto o consumidor foca no gasto imediato e questiona "o que eu posso comprar com isso?", o gestor enxerga o recurso como ferramenta de expansão e sustentação, perguntando "o que eu posso construir com isso?". O economista reforça que o dinheiro precisa trabalhar ativamente para o negócio antes de qualquer outra prioridade.
- 2. Separação rigorosa entre contas pessoais e empresariais: Misturar o orçamento pessoal com o faturamento da empresa é uma das falhas mais recorrentes no empreendedorismo inicial, pois impede a visualização clara do lucro líquido e dos custos operacionais. Gil utiliza uma analogia incisiva sobre limites hierárquicos: assim como um funcionário não permitiria que um chefe invadisse e desorganizasse sua casa, o dono não deve misturar o caixa da empresa com suas despesas particulares.
- 3. Definição clara de um pró-labore fixo: Para consolidar a separação entre as finanças da empresa e as pessoais, o empreendedor deve estipular um salário fixo alinhado estritamente aos seus gastos de sobrevivência e estilo de vida. Essa prática evita retiradas desordenadas do caixa corporativo e preserva a transparência sobre o real desempenho financeiro da organização.
- 4. Planejamento estratégico e metas factíveis: A estruturação de planos antecipados e cronogramas de execução é indispensável para antecipar gargalos e direcionar recursos de forma assertiva. Ilustrando com sua trajetória pessoal ao se preparar para um doutorado nos Estados Unidos — quando precisou planejar rigorosamente cada receita extra e economia por 12 meses —, o economista demonstra que pensar estrategicamente minimiza as dificuldades operacionais.
- 5. Construção de um fundo de segurança e uso consciente do crédito: A criação de uma reserva de emergência funciona como um escudo indispensável para períodos de retração de vendas ou imprevistos de mercado, comparada por Gil a um "remédio" para o corpo humano. Paralelamente, o crédito financeiro deve ser avaliado com cautela extrema, servindo unicamente como instrumento para gerar retorno produtivo, aumento de capacidade ou investimentos estruturais, jamais para cobrir despesas de consumo sem planejamento.
Com essas diretrizes, o economista reforça que a educação financeira deixa de ser um conceito abstrato e passa a atuar como a base indispensável para transformar a rotina contábil em estabilidade e crescimento a longo prazo para micro e pequenos empreendedores.
Fonte original: Globo