São Paulo, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Jornal o Paulistão

Ministério Público de São Paulo recomenda intervenção na Feira do Brás após acúmulo de dívida milionária

Ministério Público de São Paulo recomenda intervenção na Feira do Brás após acúmulo de dívida milionária

Por Redação •

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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) recomendou formalmente à Prefeitura da capital paulista que decrete a intervenção na administração da conhecida Feira da Madrugada do Brás. O espaço comercial, de grande relevância econômica para a região, é atualmente administrado sob regime de concessão pela empresa Circuito de Compras e abriga milhares de pequenos comerciantes voltados à venda de produtos populares, vestuário e artigos eletrônicos, registrando uma circulação diária estimada em cerca de 15 mil pessoas.

De acordo com as investigações conduzidas pelo órgão ministerial, a concessionária responsável acumulou uma dívida expressiva de R$ 163 milhões, além de incorrer em uma série de irregularidades contratuais que, segundo a avaliação técnica, tornam inviável a manutenção da gestão nos moldes atuais. O MPSP estabeleceu o prazo de 15 dias para que a prefeitura e a agência reguladora municipal, a SP Regula, efetivem a intervenção na concessão e adotem medidas enérgicas para resguardar o interesse público na execução do contrato.

A medida recomendada integra um inquérito civil em andamento, cujo objetivo é monitorar rigorosamente o cumprimento do acordo firmado entre o poder público municipal e a concessionária, que detém a responsabilidade pela implantação, operação, manutenção e exploração econômica de toda a área da feira. Durante a apuração, os investigadores identificaram falhas graves, tais como pendências na realização de investimentos obrigatórios previstos no contrato original, registro de recorrentes dificuldades operacionais e uma alta ociosidade do espaço comercial.

A Promotoria destacou, ainda, depoimentos colhidos de comerciantes e lideranças setoriais durante o processo investigativo. Esses relatos evidenciaram um aumento expressivo nos custos de ocupação dos boxes, a queda acentuada na atratividade econômica do empreendimento e a persistência de milhares de comerciantes atuando de maneira irregular nas vias públicas dos bairros do Brás e do Pari. Para o MPSP, tais circunstâncias comprometem diretamente e frustram a finalidade pública que justificou a concessão do espaço.

O cenário de instabilidade administrativa na feira também foi alvo recente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal de São Paulo. A comissão investigou denúncias graves envolvendo extorsão de camelôs, comercialização de produtos falsificados e receptação de mercadorias. Na ocasião, parlamentares governistas endossaram a necessidade de revisão contratual, alinhando-se à posição defendida pela gestão do prefeito Ricardo Nunes. Até o momento, a concessionária Circuito de Compras não se pronunciou sobre a recomendação do Ministério Público, mantendo-se o espaço aberto para futuros esclarecimentos.


Fonte original: Agência Brasil


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