A primeira fase do Vestibular 2027 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizada neste domingo (18), registrou uma taxa de abstenção de 6,38%, considerada a menor em 16 anos. Segundo os dados divulgados pela Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), do total de 58.431 pessoas habilitadas, 54.702 compareceram aos locais de prova para realizar o exame nas regiões de Campinas, Piracicaba e demais cidades do estado.
O processo seletivo deste ano chamou a atenção pela escolha dos temas abordados nos cadernos de questões. Os candidatos se depararam com tópicos de relevância social e histórica, como a política indigenista durante o período da ditadura militar, análises sobre o conceito de democracia e o impacto da desinformação — incluindo questões específicas sobre fake news associando a vacina da Covid-19 à Aids e o negacionismo científico. A prova também incluiu discussões geopolíticas e tecnológicas, abordando o uso de inteligência artificial com base em alertas emitidos pela China aos Estados Unidos, o apoio de estadunidenses a políticas de deportação e a propagação da linguagem digital nas redes sociais, com destaque para a gíria em inglês "gag", utilizada para descrever situações de forte impacto ou surpresa.
A avaliação do exame pelos estudantes foi mista, oscilando entre elogios à interpretação textual e críticas à densidade dos enunciados. A estudante Bárbara Rosolem, de 17 anos, avaliou o exame de forma positiva e destacou a presença de assuntos polêmicos alinhados ao momento atual, ressaltando contudo que as seções de matemática e química exigiram maior dedicação. Visão semelhante teve Joaquim Kollar, de 18 anos, que apontou a complexidade e a densidade dos textos de apoio como fatores de maior dificuldade nas questões da Fumep, em Piracicaba.
Por outro lado, candidatos como Sophia Collescaine, que prestou como treineira de filosofia, elogiaram o perfil interpretativo do vestibular da Unicamp, contrapondo-o a exames de caráter mais conteudista. Já Hillary Stephany Vila Ramos de Aquino, de 19 anos, candidata às vagas de engenharia elétrica e engenharia de alimentos, relatou a pressão do momento, mas celebrou a inclusão de temas modernos como a gíria "gag". Outros participantes, como Ana Lívia Velo Carvalho, ressaltaram a relevância de questões voltadas ao cenário político e tecnológico atual.
Os portões fecharam pontualmente e o horário limite para a conclusão da prova foi estabelecido para as 14h, com variações pontuais dependendo do horário de início em cada sala. O processo de correção e a elaboração de gabaritos extraoficiais mobilizaram equipes de professores especializados em disciplinas como literatura, língua portuguesa, biologia, matemática e física, que analisam o desempenho das provas de referência Q e Y.
Fonte original: G1











