O segundo turno das Eleições 2026 mobilizou milhares de eleitores de 66 municípios das regiões de Ribeirão Preto (SP) e Franca (SP) neste domingo para a escolha do presidente da República. O dia começou com chuvas intensas, que reduziram o movimento inicial durante a manhã, mas o tempo abriu à tarde, resultando em seções sem filas.
No encerramento da votação, uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do pleito até as 19h devido a problemas no transporte público pelo país. A medida provocou impasses operacionais nos cartórios da região, pois o comunicado ocorreu quando os trabalhos de fechamento das 17h já estavam em andamento, impedindo a reabertura de urnas que já haviam sido lacradas.
Chuva e problemas de infraestrutura
O mau tempo no início do domingo dificultou a ida dos votantes às seções. No Colégio Marista, tradicional ponto de votação em Ribeirão Preto, a chuva forte exigiu atenção redobrada dos eleitores idosos. Contudo, com a trégua perto do meio-dia, o fluxo cresceu com rapidez. A espera nas seções ficou em apenas dois minutos no início da tarde na Escola Estadual Dr. Barão de Franca, em Franca. Movimentação sem filas também foi registrada no Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, na Unesp de Franca e na Escola Estadual Dr. João Marciano de Almeida, em Franca.
Apesar do ritmo acelerado, a votação teve registros de problemas estruturais. Uma mulher cadeirante de 96 anos esperou por cerca de três horas e precisou de auxílio para conseguir votar em um local sem acessibilidade.
A decisão do STF e o clima de indefinição nas escolas
A ordem de prorrogação da votação até as 19h gerou desencontros de orientação entre os cartórios eleitorais das regiões de Ribeirão Preto e Franca. Como o comunicado chegou após o horário regular de encerramento, diversos locais já tinham finalizado os procedimentos e desligado os aparelhos.
No Colégio Marista, a organização manteve os portões abertos, mas a votação ficou inviabilizada porque todas as urnas já haviam sido desligadas e o sistema impede o religamento técnico, com os mesários sendo dispensados enquanto a equipe aguardava instruções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na 265ª Zona Eleitoral de Ribeirão Preto, o cartório informou que também aguardava diretrizes oficiais.
Em Franca, o chefe da 46ª Zona Eleitoral, Marcelo Queiroz, confirmou que a votação foi encerrada em todas as seções por determinação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), com as mídias sendo recolhidas e enviadas para transmissão direta ao TSE.
Pouco depois das 17h, cerca de 30 cidades já tinham registrado o encerramento definitivo, entre elas:
- Altinópolis
- Barretos
- Franca
- Guariba
- Igarapava
- Jaboticabal
- Miguelópolis
- Santa Rosa de Viterbo
- Taquaritinga
- Vista Alegre do Alto
Por outro lado, cidades como Brodowski, Cravinhos, Dumont, Guatapará, Jardinópolis e Serrana mantiveram a dúvida sobre o procedimento até pouco antes das 19h.
Troca de urnas e falhas na rede elétrica
Os cartórios eleitorais contabilizaram a substituição de 12 urnas eletrônicas que apresentaram defeitos operacionais em sete cidades da região. Foram registradas quatro substituições em Ribeirão Preto, duas em Franca e duas em Sertãozinho, além de trocas em Barretos, Guaíra, Serra Azul e Taiaçu.
Uma escola em Jardinópolis registrou falta de energia elétrica, fazendo com que as urnas passassem a funcionar por meio de baterias. A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) informou que não identificou interrupção na rede geral do município. Oscilações pontuais de luz também foram registradas e sanadas em colégios de Ribeirão Preto e Sertãozinho, enquanto em Batatais, Bebedouro e Jaboticabal o pleito transcorreu sem falhas elétricas.
Exemplos de cidadania e votação de figuras públicas
Em meio às adversidades, o pleito teve histórias de participação voluntária, como a de Arnaldo Corrêa Neves, de 85 anos, e Aparecida Izilda, de 72 anos, que fizeram questão de votar mesmo desobrigados pela legislação. A advogada Juliana Previato Teixeira, de 30 anos, enfrentou a chuva da manhã em Franca, enquanto a faxineira Carina de Souza, de 36 anos, levou os três filhos para acompanhar o momento na zona eleitoral.
O escritor e ex-candidato à presidência da República Augusto Cury (Avante) votou no início da tarde em Colina (SP), na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Coronel José Venâncio Dias. Terceiro colocado no primeiro turno no país, Cury declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno após o candidato assinar um protocolo de compromissos. Após votar, o escritor defendeu que a responsabilidade fiscal é o principal desafio do país.
"A responsabilidade fiscal é fundamental. E tem de haver um pacto nacional. O próximo presidente vai ter que falar, olha, se não arrecadarmos, os juros vão continuar altíssimos", afirmou Cury.
Fonte original: G1











