Voar de cabeça para baixo por até um minuto, cruzar com outra aeronave a menos de dois metros de distância e executar manobras que deixam o avião temporariamente reagindo sem controle direto são algumas das acrobacias que compõem as apresentações da Esquadrilha da Fumaça. As demonstrações foram destaque durante o Domingo Aéreo, realizado na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP).
Em entrevista, o capitão e piloto da Esquadrilha, André Nery Lima Bezerra, de 35 anos, explicou como o caça A-29 Super Tucano viabiliza cada uma das acrobacias. Segundo o militar, a exibição começa com sete aviões agrupados e, após a primeira sequência, os pilotos executam o Break, manobra em que as aeronaves apontam frontalmente para o público e se espalham para cada canto, dando início às operações em subgrupos.
A dinâmica e o formato das apresentações
A apresentação é estruturada de forma sequencial, durando entre 35 e 40 minutos, período em que são realizadas cerca de 50 manobras. O capitão compara a dinâmica a uma peça de teatro rigidamente ensaiada:
- Subgrupos em ação: Enquanto um grupo com quatro, dois ou um avião isolado executa uma sequência, as demais aeronaves se posicionam fora da arena para garantir que o público nunca deixe de acompanhar alguma acrobacia.
- Fases da demonstração: Da metade para o final da exibição, a plateia acompanha manobras realizadas com seis aeronaves agrupadas.
Manobras históricas e o retorno com o Super Tucano
Algumas acrobacias foram desenvolvidas pelos próprios pilotos ao longo da história da equipe, especialmente na década de 1980, com a incorporação do T-27 Tucano. É o caso da Chumboide, batizada em homenagem a um ex-integrante apelidado de Chumbo.
Devido ao desgaste estrutural e do motor causado por certas acrobacias, manobras como a Chumboide e o Lancevak deixaram de ser executadas temporariamente. Com a chegada do A-29 Super Tucano, uma aeronave mais robusta e resistente aos esforços aerodinâmicos, tais movimentos clássicos puderam retornar ao repertório.
- Lancevak: Executada exclusivamente pelo piloto nº 7, a manobra dá a impressão de que o avião capota no ar em seus três eixos. Trata-se de um comando único em que o piloto sabe exatamente o momento exato de retomar o controle e realinhar a aeronave com o eixo da próxima acrobacia.
- Espelhinho e Espelhão: O Espelhinho é realizado pelos pilotos 5 e 6 (um em voo normal e outro invertido), enquanto o Espelhão reúne três aeronaves em voo normal e outras três invertidas logo acima, formando um reflexo perfeitamente simétrico.
- Coração: Uma das manobras mais aguardadas, onde três aviões realizam uma curva para um lado e os outros três para o oposto, traçando o desenho de um coração no céu. O capitão ressalta, contudo, que a execução depende de condições meteorológicas favoráveis, como vento e visibilidade adequados.
Cruzamentos de alta velocidade
Outro ponto marcante das apresentações são os cruzamentos entre aeronaves. O capitão esclarece que não se trata de ilusão de ótica: os aviões passam a distâncias inferiores a dois metros uns dos outros, operando a velocidades superiores a 400 km/h ou quase 500 km/h.
O repertório inclui diferentes modalidades, como o Hammerhead Simultâneo, o cruzamento com tonneau lento e o cruzamento das seis aeronaves, resultando em uma velocidade relativa de aproximação próxima a mil quilômetros por hora.
Nível de dificuldade e sustos controlados
Acrobacias como a tonneau com alas invertidas e o wingover com troca de liderança exigem alto rigor técnico e longo treinamento. Como o público nem sempre percebe a complexidade visual desses movimentos, o locutor da equipe atua na explicação detalhada de cada fase.
Por fim, o capitão destaca que alguns dos momentos de maior apreensão na plateia não são propriamente manobras, mas sim as entradas surpresa — quando o avião surge repentinamente por trás do público em voo baixo e rápido — e a simulação de pane executada pelo piloto nº 7, que reduz a velocidade e aponta a aeronave em direção ao solo antes de reativar o sistema de fumaça.
Fonte original: G1











