São Paulo, Sexta-feira, 06 de novembro de 2026
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Fim da escala 6x1 em Campinas: Hotéis planejam novas contratações enquanto comércio e setor de serviços projetam desafios operacionais

Fim da escala 6x1 em Campinas: Hotéis planejam novas contratações enquanto comércio e setor de serviços projetam desafios operacionais

Empresas da região de Campinas já recalculam custos e reorganizam equipes diante da nova jornada de trabalho aprovada pelo Senado.

Por Redação •

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Mesmo antes da entrada em vigor do fim da escala 6x1, empresas de Campinas e região já começam a recalcular custos e reorganizar equipes para se adequar às novas regras trabalhistas. Em um hotel da metrópole, a projeção é ampliar o quadro de funcionários entre 15% e 20% para garantir a operação contínua. Enquanto isso, representantes do comércio, bares e restaurantes preveem desafios complexos para adaptar escalas de trabalho sem comprometer o atendimento ao público.

A proposta aprovada pelo Senado estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem qualquer redução salarial, além da diminuição gradual da carga horária semanal de 44 para 40 horas. Enquanto os trabalhadores celebram a perspectiva de mais tempo livre e maior convivência familiar, os empresários analisam minuciosamente os impactos da mudança sobre os custos operacionais, o volume de contratações e os níveis de produtividade, especialmente em setores que dependem fortemente de equipes atuando aos fins de semana, feriados e no período noturno.

No setor hoteleiro, a transição já integra o planejamento estratégico. Segundo Michael Matsuda, gerente de operações de um hotel em Campinas, a expectativa é expandir o quadro de colaboradores entre 15% e 20% para manter a cobertura das escalas e assegurar a excelência na prestação dos serviços. "Teremos colaboradores mais dispostos ao trabalho. A escala 6x1, olhando pelo lado da nossa equipe de operação, é um tanto quanto puxada", pontuou. Para absorver o impacto financeiro, o estabelecimento planeja reajustes pontuais em serviços como hospedagem e estacionamento, além da renegociação de contratos. A recepção entre os funcionários é favorável; para Pedro Ventura, supervisor de eventos do hotel, a medida representa um ganho substancial em termos de qualidade de vida.

No segmento comercial, contudo, a abordagem inicial é de maior cautela. A gerente comercial Patrícia Auxiliadora avalia que, em um primeiro momento, pode não ser indispensável ampliar o contingente de pessoal, optando por remanejamentos estratégicos conforme o comportamento da demanda. A principal incerteza reside na distribuição das novas folgas sem prejudicar os picos de faturamento, sobretudo aos sábados.

As entidades de classe reforçam o alerta quanto aos reflexos financeiros e operacionais. André Mandetta, presidente regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), enfatiza que a reorganização exigida elevará os custos do setor. "Os impactos serão inevitáveis. Num primeiro momento, com certeza haverá necessidade de adaptação, e num segundo momento o aumento de custos pode ficar entre 15% e 20%", declarou. Na mesma linha, o economista do Sindivarejista Campinas, Jaime Vasconcelos, destaca que o varejo figura entre os mercados mais expostos às transformações estruturais decorrentes da nova jornada.

Apesar dos desafios financeiros, especialistas apontam que a alteração pode gerar ganhos de eficiência a médio prazo. Franciele Aparecida Gurgel, presidente da Comissão de Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Campinas, ressalta que colaboradores menos sobrecarregados tendem a elevar a produtividade. "Quando o funcionário está satisfeito com o trabalho e não está sobrecarregado, a produtividade pode aumentar e a sobrecarga diminuir", explicou.

As diretrizes para a implementação da nova jornada estabelecem um período de transição estruturado em etapas distintas para assegurar a adaptação gradual do mercado:

  • Primeiros 60 dias: Redução imediata da jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais, assegurando o direito a duas folgas periódicas que não precisam obrigatoriamente ser consecutivas.
  • 12 meses seguintes: Conclusão da transição com a redução definitiva da carga horária para 40 horas semanais.

Durante todo o processo de transição, a legislação determina a preservação integral dos salários atuais dos profissionais envolvidos.


Fonte original: G1


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