São Paulo, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Professor mineiro brilha na China com projeto premiado pelo BRICS e faz forte alerta sobre os perigos da Inteligência Artificial

Professor mineiro brilha na China com projeto premiado pelo BRICS e faz forte alerta sobre os perigos da Inteligência Artificial

Por Redação

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A conquista de uma medalha de prata em um evento internacional do BRICS, realizado em Guangzhou, na China, levou um professor de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) a discutir um tema que considera fundamental para o futuro da inteligência artificial: os limites do uso da tecnologia na tomada de decisões que afetam a vida das pessoas.

O pesquisador Hélio Lemes Costa apresentou um modelo de governança para laboratórios e projetos de inovação que utiliza inteligência artificial para analisar documentos, áudios, vídeos e outros registros produzidos ao longo de projetos, atribuindo indicadores de risco, transparência e andamento. Apesar do potencial da ferramenta, ele afirma que a tecnologia não deve substituir a análise humana.

O alerta parte da avaliação de que a inteligência artificial se tornou uma das maiores transformações tecnológicas das últimas décadas. Segundo ele, embora a tecnologia exista há muito tempo, sua popularização ocorreu recentemente, ampliando rapidamente as possibilidades de aplicação em diferentes setores.

“Assim como a internet, a IA é aplicada em todos os setores, todas as áreas. Não é uma tecnologia que afeta um setor específico. Ela é muito abrangente e provoca transformações profundas onde chega”, disse o professor Hélio Lemes Costa durante entrevista ao g1.

Durante a conversa, o pesquisador citou exemplos internacionais que demonstram os riscos da utilização inadequada da inteligência artificial. Um dos casos mencionados ocorreu na Holanda, onde um sistema utilizado para revisar benefícios sociais classificou milhares de pessoas, de forma equivocada, como fraudadoras.

Segundo o pesquisador, a ferramenta apresentava vieses que levaram cidadãos a perder benefícios, empregos e até moradias. Após revisão humana, o governo precisou rever as decisões, ressarcir os afetados e enfrentar uma crise política.

Para ele, o caminho mais seguro é utilizar a inteligência artificial como instrumento de apoio. A tecnologia pode acelerar tarefas repetitivas, organizar informações e auxiliar análises complexas, mas a validação final deve permanecer sob responsabilidade humana.

“Eu utilizo muito a IA no começo dos processos, para fazer tarefas repetitivas e acelerar o trabalho. Mas ela nunca finaliza as minhas atividades. Sempre é necessário revisar, conferir e corrigir eventuais erros”, explicou.

Foi justamente nessa lógica que surgiu o projeto premiado na China. O modelo RGF-Agent começou a ser desenvolvido há cerca de cinco anos e foi reformulado recentemente para incorporar recursos de inteligência artificial. O objetivo é ajudar gestores a lidar com uma das principais dificuldades dos projetos de inovação: a análise de informações que normalmente estão dispersas e sem padronização.

O software desenvolvido pelo pesquisador é capaz de processar uma série de elementos fundamentais:

  • Atas e documentos formais
  • Gravações de reuniões
  • Vídeos institucionais
  • Anotações informais

Com base nesses dados, o sistema calcula indicadores relacionados ao risco dos projetos, à transparência das ações e às chances de sucesso das iniciativas. De acordo com o professor, essas informações permitem que gestores identifiquem projetos que exigem atenção adicional antes que problemas comprometam os resultados.

“Quem administra os projetos pode olhar para esses indicadores e perceber onde precisa atuar para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso”, pontuou.

O trabalho foi apresentado em uma competição que reuniu cerca de 500 projetos de países integrantes do BRICS e das nações que passaram a integrar o bloco. O pesquisador afirmou que participou do evento sem expectativa de premiação, mas acabou conquistando a medalha de prata.

Além de discutir os impactos da inteligência artificial, o professor vê a conquista como uma oportunidade para estimular a produção de conhecimento e inovação fora dos grandes centros do país. Segundo ele, ideias desenvolvidas no interior têm potencial para competir internacionalmente.

“Muitas vezes as pessoas acham que o que fazem não é bom o suficiente para mostrar ao mundo. Mas a inovação acontece a partir de boas ideias compartilhadas. Nós temos condições de fazer coisas muito boas aqui e competir no mesmo nível de projetos que estão sendo desenvolvidos em qualquer lugar do mundo”, afirmou.

O modelo teórico apresentado pelo pesquisador já foi publicado em artigos científicos. Já o software utilizado durante a competição ainda passa por ajustes e aperfeiçoamentos antes de uma eventual disponibilização para uso mais amplo.


Fonte original: G1


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