O Museu do Ipiranga, um dos marcos históricos mais importantes do Brasil com seus 131 anos de existência, está recebendo um reforço tecnológico de ponta para garantir sua preservação a longo prazo. Trata-se da mesma tecnologia de monitoramento e conservação aplicada no emblemático Coliseu de Roma, na Itália, trazida ao país por meio de uma parceria internacional com pesquisadores da Universidade de Ferrara.
Nas últimas semanas, uma equipe especializada de cientistas italianos trabalhou intensamente nas dependências internas e externas do edifício histórico utilizando um avançado sistema de escaneamento a laser em 3D. Diferente de uma fotografia comum, o método atua de maneira semelhante a exames médicos complexos, como um raio-X, um ultrassom ou uma tomografia computadorizada, permitindo mapear o patrimônio milimetricamente e enxergar imperfeições e falhas estruturais que estão ocultas na superfície.
Conforme detalha o professor de Arquitetura da Universidade de Ferrara, Marcello Balzani, a técnica possibilita navegar pelo espaço físico como se ele fosse um órgão ou um músculo do corpo humano. Os scanners a laser calculam com precisão milimétrica a exata posição de cada detalhe da construção, gerando o que os especialistas chamam de "nuvem de pontos" — um conjunto complexo de coordenadas espaciais capazes de registrar fissuras, desníveis e deformações invisíveis a olho nu.
A partir desses dados, softwares de última geração desenvolvem um "gêmeo digital" da edificação. O trabalho faz parte de uma colaboração direta com a Universidade de São Paulo (USP), contando com a supervisão da professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP), Beatriz Kuhl. Segundo a docente, a ferramenta é indispensável para antecipar riscos e planejar manutenções preventivas eficazes.
"Você consegue intervir antes de ter um problema mais grave, desde uma coisa como uma lâmpada ou interruptor até problemas de cobertura, por exemplo. Essa manutenção constante evita intervenções mais invasivas e, de um modo geral, custa menos a longo prazo", destaca Beatriz Kuhl. A especialista ressalta ainda que, embora o museu possua uma estrutura robusta, o edifício não se regenera sozinho, exigindo vigilância contínua.
O histórico do Museu do Ipiranga inclui um longo período de quase dez anos fechado ao público, até sua ampla revitalização e reabertura em 2022. Naquela época, um mapeamento preliminar já havia sido executado. Agora, com a nova rodada de escaneamentos e a consolidação de um programa contínuo de conservação baseado no modelo romano, a instituição busca assegurar que o patrimônio histórico brasileiro continue a envelhecer com segurança e estabilidade estrutural pelas próximas décadas.
Fonte original: G1











