A Justiça de São Paulo negou um pedido apresentado pelo advogado Willer Tomaz para a reaver a quantia de R$ 163 milhões perdidos em apostas online na plataforma Blaze. O autor da ação acionou a 44ª Vara Cível da comarca paulista argumentando ter sofrido prejuízos decorrentes de vício em jogos e falhas operacionais do sistema.
Na sentença, o juiz Guilherme Madeira Dezem pontuou que o próprio apostador solicitou e obteve a criação de mesas privativas e exclusivas com limites elevados, conhecidas como "Blaze VIP Blackjack", alcançando montantes expressivos por jogada. O magistrado destacou que o abalo financeiro e emocional resultante das perdas em jogos de azar eletrônicos decorre diretamente do risco voluntariamente assumido pelo apostador em uma atividade de alta volatilidade. Contudo, a decisão concedeu a ele o direito de não ser mais contatado comercialmente pela empresa.
De acordo com os dados apresentados pela defesa no processo protocolado em agosto e que tramitava sob sigilo, em um período de 18 meses — entre janeiro de 2025 e julho de 2026 —, Tomaz movimentou valores expressivos em apostas e acumulou prejuízos calculados em R$ 188,5 milhões, após realizar milhares de depósitos na plataforma. Os advogados fundamentaram o pedido de restituição integral no diagnóstico de ludopatia, distúrbio caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de apostar, emitido por profissional de saúde mental habilitado.
Por sua vez, a defesa da casa de apostas argumentou que o movimento líquido de uma conta de apostas não configura dano financeiro, assemelhando-se a um extrato bancário com entradas e saídas sucessivas. Representantes da empresa também detalharam que o cliente contava com atendimento exclusivo em área VIP, onde os limites de apostas foram progressivamente ampliados a pedido do próprio usuário.
Paralelamente às discussões cíveis sobre as perdas nas plataformas digitais, as movimentações financeiras e os registros telemáticos do advogado tornaram-se alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal, que investiga a hipótese de utilização de estruturas de apostas para operações financeiras complexas. O caso ganhou repercussão nacional e tramita sob escrutínio das autoridades competentes para a elucidação dos fatos e verificação de eventuais responsabilidades legais.
Fonte original: G1











