A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) iniciaram uma apuração rigorosa para investigar suspeitas de vazamento de informações no âmbito da Operação Vectura Corrupta. A ação tem como foco central desarticular e investigar supostas ligações da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) com o sistema de transporte da capital paulista.
De acordo com o balanço divulgado pelas autoridades, 11 dos 16 alvos de mandados de prisão temporária da operação já foram capturados, enquanto cinco ainda permanecem foragidos. Entre os detidos e investigados de destaque estão o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual. A equipe de reportagem não conseguiu localizar as defesas dos citados.
As suspeitas de vazamento ganharam força após equipes de investigação realizarem diligências em múltiplos endereços associados a Milton Leite e ao empresário Paulo Sirqueira Korek Farias — presidente da viação A2 Transportes e do time de futebol Água Santa —, sem conseguirem localizá-los inicialmente. Em coletiva de imprensa realizada na tarde de quinta-feira (17), o delegado Fabrício Intelizano, de Mogi das Cruzes, confirmou que a possível quebra de sigilo prévia será devidamente apurada.
Após ter se apresentado à delegacia de Mogi das Cruzes nesta sexta-feira (18), Milton Leite negou veementemente qualquer envolvimento com o PCC. Anteriormente, ele havia justificado sua ausência nos endereços vasculhados afirmando estar em viagem cumprindo compromissos políticos, enquanto sua esposa viajava para o exterior.
Ainda na manhã desta sexta-feira (18), durante o cumprimento de mandados de busca em Sorocaba, no interior paulista, a Polícia Civil e o Ministério Público descobriram uma "passagem secreta" interligando dois imóveis associados a Milton Leite. Segundo as autoridades, uma das residências pertence a um assessor do ex-parlamentar, e a outra, pertencente ao próprio Milton, encontrava-se vazia. Para esclarecer os passos dos investigados, a polícia analisará imagens de câmeras de monitoramento.
Nos locais das buscas, os agentes localizaram quantias expressivas de dinheiro em espécie e documentos cuja origem não pôde ser justificada pelas pessoas presentes. Foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (o equivalente a cerca de R$ 457 mil) armazenados dentro de malas. A corporação investiga a quem pertencem os valores.
Conforme apontamentos do Ministério Público, o inquérito sugere que ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo operantes na capital paulista estariam direta ou indiretamente sob o controle da facção criminosa PCC, uma alegação que segue sob escrutínio judicial. O nome de Milton Leite surge em diálogos e em depoimentos de policiais militares que o apontam como o verdadeiro proprietário da empresa Transwolff, alvo anterior na Operação Fim da Linha, em 2024. Tanto a defesa da Transwolff quanto o próprio Milton negam qualquer vínculo societário ou gerencial com a empresa.