São Paulo, Sexta-feira, 06 de novembro de 2026
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Prefeitura de São Paulo Estabelece Rigoroso Protocolo de Saúde para Corridas de Rua Após Morte de Atleta

Prefeitura de São Paulo Estabelece Rigoroso Protocolo de Saúde para Corridas de Rua Após Morte de Atleta

Nova normativa municipal exige atendimento médico em até 3 minutos para eventos de risco especial, distribuição estratégica de desfibriladores e monitoramento rigoroso de ondas de calor.

Por Redação •

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A Prefeitura de São Paulo oficializou o Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua, um conjunto abrangente de regras que define critérios obrigatórios para o atendimento médico de participantes em provas esportivas realizadas na capital paulista. A publicação no Diário Oficial do Município ocorreu em meio a novas diretrizes que visam garantir a segurança dos atletas, estabelecendo prazos máximos para o primeiro atendimento, a obrigatoriedade de desfibriladores distribuídos ao longo dos percursos e o dimensionamento mínimo de equipes e ambulâncias conforme o risco de cada competição. O documento passa a vigorar em 12 de dezembro.

A medida foi desenvolvida 79 dias após o falecimento do publicitário e atleta amador Júlio Barreto, de 50 anos, que sofreu uma parada cardíaca após cruzar a linha de chegada dos 21 km da SP City Marathon, na Zona Sul da cidade, em 26 de julho. Na ocasião, o atendimento gerou debates públicos após relatos de demora e falta imediata de equipamentos como o Desfibrilador Externo Automático (DEA) por parte da organização, cenário que motivou a criação de normas padronizadas pela administração municipal para evitar novas tragédias.

O novo regimento substitui diretrizes fragmentadas e introduz uma classificação municipal de risco dividida em quatro categorias — baixo, médio, alto e risco especial —, calculada a partir de oito fatores determinantes. Entre os critérios avaliados estão o volume de inscritos, a distância percorrida, as condições climáticas e o histórico do evento. A pontuação final define a complexidade e a estrutura necessária para cada prova:

  • Provas com mais de 10 mil corredores: recebem 6 pontos no critério de participação.
  • Meia-maratona (21 km): pontua com 8 pontos, sendo a modalidade com maior peso nessa categoria.
  • Temperaturas acima de 34°C: adicionam 7 pontos à avaliação de complexidade climática.
  • Presença de pontes ou túneis: acrescentam 2 pontos devido à dificuldade de acesso.
  • Poucos acessos para ambulâncias: fator que eleva a pontuação geral de risco do percurso.
  • Registro de mortes em edições anteriores: acrescenta 6 pontos ao histórico do evento.

Eventos que somem até 18 pontos entram no nível de baixo risco; de 19 a 28, médio risco; de 29 a 38, alto risco; e acima de 38 pontos, risco especial. Além disso, situações como ultramaratonas, maratonas com mais de 15 mil participantes, locais sem acesso terrestre adequado para ambulâncias, público superior a 50 mil pessoas e previsões de temperatura igual ou superior a 36°C elevam automaticamente a competição para a categoria de risco especial, independentemente da pontuação acumulada.

Com o novo protocolo, os intervalos máximos para o primeiro atendimento médico foram rigorosamente definidos de acordo com a classificação de cada prova:

  • Eventos de baixo risco: limite máximo de 8 minutos para o primeiro contato de suporte básico.
  • Eventos de médio risco: limite máximo de 6 minutos.
  • Eventos de alto risco: limite máximo de 5 minutos.
  • Eventos de risco especial: limite máximo de 3 minutos.

Para assegurar o cumprimento desses prazos, o documento determina que nenhum trecho do trajeto fique descoberto. A distância máxima entre os recursos médicos deverá ser de 2 km em provas de baixo risco, 1,5 km nas de médio risco, 1 km nas de alto risco e de apenas 800 metros nas de risco especial. Os organizadores também ficam obrigados a descentralizar a assistência, instalando postos médicos e equipes móveis equipadas com DEA no último quarto do percurso em provas com 10 km ou mais.

O dimensionamento da equipe médica também foi estipulado com precisão matemática. Enquanto eventos de baixo risco exigem no mínimo dois médicos, dois enfermeiros, quatro técnicos em enfermagem, seis socorristas e duas equipes móveis, as competições de risco especial demandam oito médicos, dez enfermeiros, 20 técnicos em enfermagem, 30 socorristas e oito equipes móveis. Acréscimos proporcionais de pessoal e ambulâncias do tipo B são obrigatórios a cada 2 mil ou 2,5 mil novos atletas inscritos.

Outro destaque do protocolo é o anexo voltado ao combate aos riscos do calor extremo e da desidratação. Os organizadores deverão monitorar indicadores meteorológicos em atualizações contínuas até o momento da largada, operando sob cinco níveis operacionais:

  • Até 25°C (Nível Verde): Operação normal com hidratação padrão.
  • Entre 25,1°C e 30°C (Nível Amarelo): Reforço na hidratação, comunicação intensificada com os atletas e vigilância ampliada.
  • Entre 30,1°C e 34°C (Nível Laranja): Aumento de 30% na equipe médica, ampliação de pontos de hidratação e áreas de resfriamento.
  • Acima de 34°C (Nível Vermelho): Revisão imediata do Plano de Atenção Médica e avaliação para atraso na largada.
  • Acima de 37°C ou risco extremo (Nível Preto): Avaliação obrigatória para suspensão, adiamento ou cancelamento da prova.

A governança das novas regras ficará a cargo da Secretaria Municipal da Saúde, por meio de uma Comissão Técnica Permanente responsável por fiscalizar documentos, estruturas físicas, habilitação de profissionais, rotas de evacuação e tempos de resposta. O descumprimento das normas poderá resultar em adequações imediatas ou na suspensão da autorização sanitária do evento em casos de risco iminente à saúde pública.


Fonte original: G1


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