A Prefeitura de São Paulo oficializou o Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua, um conjunto abrangente de regras que define critérios obrigatórios para o atendimento médico de participantes em provas esportivas realizadas na capital paulista. A publicação no Diário Oficial do Município ocorreu em meio a novas diretrizes que visam garantir a segurança dos atletas, estabelecendo prazos máximos para o primeiro atendimento, a obrigatoriedade de desfibriladores distribuídos ao longo dos percursos e o dimensionamento mínimo de equipes e ambulâncias conforme o risco de cada competição. O documento passa a vigorar em 12 de dezembro.
A medida foi desenvolvida 79 dias após o falecimento do publicitário e atleta amador Júlio Barreto, de 50 anos, que sofreu uma parada cardíaca após cruzar a linha de chegada dos 21 km da SP City Marathon, na Zona Sul da cidade, em 26 de julho. Na ocasião, o atendimento gerou debates públicos após relatos de demora e falta imediata de equipamentos como o Desfibrilador Externo Automático (DEA) por parte da organização, cenário que motivou a criação de normas padronizadas pela administração municipal para evitar novas tragédias.
O novo regimento substitui diretrizes fragmentadas e introduz uma classificação municipal de risco dividida em quatro categorias — baixo, médio, alto e risco especial —, calculada a partir de oito fatores determinantes. Entre os critérios avaliados estão o volume de inscritos, a distância percorrida, as condições climáticas e o histórico do evento. A pontuação final define a complexidade e a estrutura necessária para cada prova:
- Provas com mais de 10 mil corredores: recebem 6 pontos no critério de participação.
- Meia-maratona (21 km): pontua com 8 pontos, sendo a modalidade com maior peso nessa categoria.
- Temperaturas acima de 34°C: adicionam 7 pontos à avaliação de complexidade climática.
- Presença de pontes ou túneis: acrescentam 2 pontos devido à dificuldade de acesso.
- Poucos acessos para ambulâncias: fator que eleva a pontuação geral de risco do percurso.
- Registro de mortes em edições anteriores: acrescenta 6 pontos ao histórico do evento.
Eventos que somem até 18 pontos entram no nível de baixo risco; de 19 a 28, médio risco; de 29 a 38, alto risco; e acima de 38 pontos, risco especial. Além disso, situações como ultramaratonas, maratonas com mais de 15 mil participantes, locais sem acesso terrestre adequado para ambulâncias, público superior a 50 mil pessoas e previsões de temperatura igual ou superior a 36°C elevam automaticamente a competição para a categoria de risco especial, independentemente da pontuação acumulada.
Com o novo protocolo, os intervalos máximos para o primeiro atendimento médico foram rigorosamente definidos de acordo com a classificação de cada prova:
- Eventos de baixo risco: limite máximo de 8 minutos para o primeiro contato de suporte básico.
- Eventos de médio risco: limite máximo de 6 minutos.
- Eventos de alto risco: limite máximo de 5 minutos.
- Eventos de risco especial: limite máximo de 3 minutos.
Para assegurar o cumprimento desses prazos, o documento determina que nenhum trecho do trajeto fique descoberto. A distância máxima entre os recursos médicos deverá ser de 2 km em provas de baixo risco, 1,5 km nas de médio risco, 1 km nas de alto risco e de apenas 800 metros nas de risco especial. Os organizadores também ficam obrigados a descentralizar a assistência, instalando postos médicos e equipes móveis equipadas com DEA no último quarto do percurso em provas com 10 km ou mais.
O dimensionamento da equipe médica também foi estipulado com precisão matemática. Enquanto eventos de baixo risco exigem no mínimo dois médicos, dois enfermeiros, quatro técnicos em enfermagem, seis socorristas e duas equipes móveis, as competições de risco especial demandam oito médicos, dez enfermeiros, 20 técnicos em enfermagem, 30 socorristas e oito equipes móveis. Acréscimos proporcionais de pessoal e ambulâncias do tipo B são obrigatórios a cada 2 mil ou 2,5 mil novos atletas inscritos.
Outro destaque do protocolo é o anexo voltado ao combate aos riscos do calor extremo e da desidratação. Os organizadores deverão monitorar indicadores meteorológicos em atualizações contínuas até o momento da largada, operando sob cinco níveis operacionais:
- Até 25°C (Nível Verde): Operação normal com hidratação padrão.
- Entre 25,1°C e 30°C (Nível Amarelo): Reforço na hidratação, comunicação intensificada com os atletas e vigilância ampliada.
- Entre 30,1°C e 34°C (Nível Laranja): Aumento de 30% na equipe médica, ampliação de pontos de hidratação e áreas de resfriamento.
- Acima de 34°C (Nível Vermelho): Revisão imediata do Plano de Atenção Médica e avaliação para atraso na largada.
- Acima de 37°C ou risco extremo (Nível Preto): Avaliação obrigatória para suspensão, adiamento ou cancelamento da prova.
A governança das novas regras ficará a cargo da Secretaria Municipal da Saúde, por meio de uma Comissão Técnica Permanente responsável por fiscalizar documentos, estruturas físicas, habilitação de profissionais, rotas de evacuação e tempos de resposta. O descumprimento das normas poderá resultar em adequações imediatas ou na suspensão da autorização sanitária do evento em casos de risco iminente à saúde pública.
Fonte original: G1











